Da inveja
inveja
in.ve.ja
sf (lat invidia) 1 Desgosto, ódio ou pesar por prosperidade ou alegria de outrem. 2 Desejo de possuir ou gozar algum bem que outrem possui ou desfruta. 3 O objeto que provoca esse desejo. Var: invídia.
Dicionário Houaiss
Inveja é um sentimento inerente ao ser humano. Caim matou Abel por inveja, já dizia a Bíblia. Você já roubou o lapis colorido do amiguinho no pré porque ele tinha e você não. Mas nos dias de hoje – e principalmente no Twitter – virou sinônimo de não gostar de alguma coisa. Se alguém diz que tal ação é ruim, é inveja. Mas não é bem assim.
Por exemplo: eu não gosto da Sandy. Acho a moça bonita e só. Não vejo graça na voz dela, acho as musicas que ela canta chatas, não a acho excepcionalmente talentosa. Eu não tenho inveja da Sandy. Nem um tico de inveja. Zero. E não gosto dela.
Outro exemplo: eu tenho inveja de gente que mora perto da praia ou que vai à praia toda semana. Eu adoraria ter uma casa na praia e descer pra lá toda sexta, ao sair cansada do trabalho. Eu adoraria sentar na varanda da minha linda casa de praia e contemplar o mar duas vezes por semana. E eu não falo mal de quem tem casa na praia. Eu não digo que são bobos, feios, chatos e cara de mamão.
Eu consigo separar “coisas que não gosto” de “coisas que invejo”. Eu não gosto de bife de fígado, e não invejo bife de fígado. Eu invejo gente que faz esportes, mas não deixo de gostar de pessoas fisicamente ativas.
Coisas diferentes.
Talvez por isso eu me irrite tanto quando há uma ação publicitária na internet e as pessoas imediatamente passem a dizer que quem fala mal da mesma é por inveja. Falemos da ação do momento, Porto Cai na Rede, onde um grande grupo de blogueiros foi levado para a bela Porto de Galinhas com todas as depesas pagas.
Obviamente, eu senti inveja desse grupo: enquanto eu estava em São Paulo, presa no trânsito, eles estavam relaxando com drinques à beira-mar. Logo, tive inveja. Se eles estivessem em férias, postando fotos maravilhosas de uma viagem totalmente paga por eles mesmos, eu também sentiria inveja. Afinal, eu adoraria não estar trabalhando e poder me divertir com passeios de barco.
Por outro lado, eu não achei a ação nada de mais. Nem de menos. Pra cidade, é boa publicidade: um grupo de pessoas com boa audiência nas redes sociais viveu uma experiência positiva relacionada à uma marca (no caso, à vila de Porto de Galinhas). Mas isso foi feito antes, obviamente em menor escala. Jornalistas de viagem são levados a diversos destinos custeados por empresas há décadas. E blogueiros já foram levados a passeios de helicóptero, bem como à viagens a hotéis de boa qualidade. Não é nada muito criativo nem novo. Mas é um investimento seguro para a rede hoteleira local, sabendo que os envolvidos fatalmente falariam bem da viagem: a cidade é linda, a praia é linda e eles ficaram em bons hotéis com tratamento excelente.
Eu dou a esses blogueiros todo direito de fazer esta viagem e de gostar dela.
Mas exijo de volta o direito de quem quiser falar mal. Alguns dizem que fazer seu casamento nessa viagem é bobo. Outros afirmam que há dinheiro público envolvido e pedem abertura das contas. Outros ainda acreditam que é errado aceitar um presente desse tamanho e preferem não participar desse tipo de ação.
Cada um com sua opinião. Desde que apresentada de forma respeitosa, a opinião ainda é livre.
Aos participantes: Vocês não devem satisfações a ninguém. Se aceitaram ir à viagem e se divertiram, ótimo.
Aos organizadores: Vocês devem satisfações apenas na medida que há dinheiro público envolvido. Se há, abram as contas conforme a lei orienta. Se não há, digam isso oficialmente e estamos conversados.
Aos críticos: Continuem a criticar, e o façam de maneira embasada. Dêem suas opiniões e não deixem que o argumento “isso é inveja” os façam calar. Há o direito de expressão.
É, inveja. Preta, branca, não importa, é do ser humano.
Admito que também adoraria estar na viagem, curtindo Porto, respirando Recife e morrendo no mar.
Digno você ter falado que não achou a ação nada de mais e ter explicado o motivo.
Eu morava perto da praia, não ligava pra ela. Hoje sinto falta e inveja dos capixabas por isso, mas aceitaria um lugarzinho pelo Guarujá para fins de semana forever.
Já roubei lápis coloridos dos amiguinhos, sim. E acredito que outras coisas também, mesmo inocentemente.
Também não gosto de confundir inveja com uma “puta vontade” de ter feito algo, de ter algo ou qualquer coisa parecida. Puta vontade, e só. Nada que faça mal.
Por fim, também não gosto da Sandy, mas super canto as músicas dela no karaokê. Canto mesmo!
Amei o blog!
Beijos na Gabizoca.
clap clap clap clap
*de pé*
Concordo em gênero número e grau com você!
Acima de tudo, quando diz que ao fazer uma crítica devemos nos embasar… e eu diria até mais, deixar os problemas pessoais de lado e falar abertamente e claramente sobre o seu ponto de vista.
O fato é que a maioria das pessoas, hoje em dia, quer parecer cool e “experto”! Quer criar o “fato” em busca de aplausos, sem se importar com os envolvidos no caso.
Respeito e objetividade são qualidades cada vez mais raras em tempo de internet.
Quando eles existem, as discussões crescem considerávelmente!
Belo texto…. obrigado!
Eu sinceramente não senti um pingo de inveja. Sentiria a tal inveja branca se fossem viajar por mérito (entenda como “temos condições de nos sustentar”).
BTW, a única coisa que faria eu falar mal dessa ação foi o tal casamento, mas como tenho picuinha com o brogui, fiquei quieto. Qualquer crítica da minha parte, mesmo que embasada, soaria como uma puta inveja
Gabi, seu texto está ótimo! Pena que nem todos conseguem ler com a isenção que ele merece. Para quem não consegue, pode acabar dando alimento para sustentar ainda mais uma opinião inquebrantável do lado que a pessoa defende. Espero que ninguém caia nesse erro!
No mais, eu particularmente concordo 100% com os três itens que encerram o seu post. E incluo aí o terceiro, é claro. Tá de parabéns.
Um beijo!
Nada mais a dizer. Acho que os que criticam apenas queria estar lá no lugar de quem foi. É isso.