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O consumidor caiu na rede?

October 16, 2009

Em primeiro lugar gostaria de destacar que não trabalho com publicidade, propaganda nem mídias sociais. Sou apenas um usuário destas ferramentas e em primeira análise poderia ser classificado como um consumidor alvo destas ações.

Um segundo ponto a destacar é que trabalho com consultoria e portanto sou programado para analisar coisas extremamente chatas em tudo o que eu vejo como taxa de retorno, viabilidade, abrangência, custo X benefício, etc.

Apresentado, vamos ao case da ação Porto Cai na Rede. Acompanhei a ação através do twitter, visto que sigo alguns dos convidados. Também vi a reação de outras pessoas sobre a ação. Lí em alguns blogs de pessoas que trabalham com mídias sociais análises como número de citações twitter, procuras no Google, tempo no trending topics, etc, e, acredito, estas sejam as métricas comumente utilizadas no mercado publicitário para quantificar o sucesso de uma ação. Também li por aí que o mote desta campanha era alavancar a ocupação hoteleira e o fluxo de turistas na baixa temporada. Tudo lindo, tudo bonito. Mas vamos tentar analisar esta ação (e outras similares) por outro ponto de vista.

Se a premissa é a alavancagem turística em baixa temporada as primeiras coisas a se analisar são:

1)       Qual o perfil do turista desejado?

2)      Qual o poder aquisitivo deste turista?

3)      Com base neste turista padrão,  qual  o ferramental ele utiliza para a decisão de compra?

Sim, como vocês podem perceber, não estou propondo um ponto de vista que valorize fixação de marca. Essa não é a premissa básica que originou a ação.

Apesar dos meus parcos conhecimentos da região e correndo o risco de estar redondamente enganado em minhas afirmações, infiro:

1)      Público na faixa acima de 30 anos.

2)      Classe média, média-alta

Desta forma, resta responder o item 3. Analisando a ação acredito não ser um erro dizer que ela não será bem sucedida sob o ponto de vista de retorno exatamente pelos fatores descritos.

Dificilmente esse público alvo vai utilizar como fator preponderante para a decisão de compra algumas referências localizadas em blogs dos mais diversos assuntos como Humor, Culinária e diversos outros blogs genéricos em termos de assunto.

Se a decisão de compra deste consumidor fosse baseada em relatos obtidos em um blog talvez o fosse em blogs de viagem ou um site regional de fomento do turismo.

Em segundo lugar poderíamos analisar os blogs convidados para a ação. Apesar do alto número de visitas que os mesmos apresentam, como qualificar estas visitas em termos do público alvo? Através do assunto abordado nos mesmos blogs? Através do antiquado conceito de que a internet concentra prioritariamente publico das classes A e B? Acho essa uma visão simplista.

E em terceiro, e para encerrar, o erro mais claro ao meu ver, neste caso:  Utilizar a internet como fator de exposição puro e simples, sem levar em conta o produto que se deseja vender.

A grande vantagem da internet como mídia é exatamente tirar a passividade do consumidor em relação ao meio de propaganda. O consumidor na internet não é mais apenas um copo a ser cheio de informação. Na internet o consumidor pode selecionar e mesmo (pasmem) buscar a informação que deseja.

Tratar o consumidor como um ente passivo pode até ser válido quando estamos falando de produtos de varejo, produtos tecnológicos, etc.

Quando falamos de turismo temos que levar em conta o fato de que o consumidor fazia pesquisa desde os tempos pré-internet, que dirá agora onde a informação está disponível diretamente no sofá.

É claro que não tenho todas as informações necessárias para fazer uma análise completa do case e, na melhor das hipóteses, estou fazendo um exercício de opinião. Porém creio que o mais relevante neste texto é propor uma forma alternativa de pensar o resultado de uma ação como esta, saindo das métricas e conceitos “tradicionais”.

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12 Comments leave one →
  1. October 16, 2009 7:41 pm

    Bacana o texto, Junior! Abordagem direta e sem o jargão clássico. Parabéns.

  2. October 16, 2009 7:54 pm

    Buenas, pelo que eu havia entendido, o interessante dessa ação estaria no fato de que quando o público fosse procurar por porto de galinhas ou por um local para passar as férias, iria encontrar os posts, flickrs e afins de todos esses blogs.

    Acho que isso é legal, mas é sim questionável os blogs escolhidos e também o fato de que alguns blogs terem indicado outros blogs para irem na viagem (ao menos foi o que deu a entender esse post: http://is.gd/4mKg6)

  3. Brenner permalink
    October 16, 2009 8:10 pm

    sinceramente?

    é angustiante ver que algumas “marcas” e/ou agências de publicidade ainda estão apostando nessa mecânica de bancar “mimos” para blogueiros e empurrar propaganda goela abaixo dos leitores; É mais angustiante ver os tais formadores de opinião, que se titulam hype, não assistem TV, não se misturam com o “tradicional”, mas estão seguindo os mesmos passos da propaganda “POLISHOP” no looongo intervalo do nosso programa de TV favorito… A única diferença é que na internet você não tem que esperar a propaganda chata acabar, é so rolar a barra de rolagem e NEXT.

    • October 19, 2009 5:57 am

      Como falei em resposta num outro blog que estava falando sobre o mesmo assunto:
      Daqui a pouco os blogueiros estarão andando pelas ruas com camisas de patrocinadores.

      Infelizmente, a maioria deles acham que somos invejosos só pelo simples motivo de não concordamos com a ação ou como ela foi executada.

      Estão tratando “blogueiros” como se fossem a última e mais eficaz forma de vender seu peixe.
      Eu não me baseio mesmo no que leio nos blogs para comprar as coisas… me baseio na qualidade do produto.

      Acho um absurdo, que pessoas vivam de doações de “merchan” e queiram discutir conosco, os seus leitores, sobre nossas opiniões sobre isso.

      Nunca fui contra os posts patrocinados, mas sim o exagero deles… E isso tá um absurdo. Exageraram na dose… os blogs parecem mais um Classificados do que um blog.

      Espero que os organizadores que trabalham em Porto possam ver a burada que fizeram..

      E sinceramente, depois dessa ação, Porto de Galinhas está fora dos meus planos de viagem.

      • October 20, 2009 2:24 am

        Bel, fiquei curioso… Porto de Galinhas está fora dos seus planos de viagem por que? Porque você não foi convidada, porque convidaram gente que você não gosta (sei lá…) ou porque lendo os textos você achou que não é um lugar onde você se divertiria??

        Não tenho nada a ver com a ação, só fiquei curioso porque seu comentário é razoavelmente radical, e pelo que vi das fotos e textos, como praia o lugar parece ser lindo e bacana de ir. Sei lá…

  4. Rachel Juraski permalink
    October 16, 2009 9:32 pm

    Só para esclarecer: fui indicada pelo Cardoso para a ação pq ele era um dos CONSULTORES contratados pela agência para isso.
    O trabalho dele era indicar alguns dos blogueiros. E ele fez isso, não indicando somente a mim.

    Bjs

  5. Pedro Neto permalink
    October 19, 2009 12:56 pm

    Sim, Rachel. Você é bonita! Assim como uma outra dezenas de blogueiras que tem um bog com 10 leitores e foram convidadas para a ação.

    Contratar o @cardoso para gerenciar essa ação foi a coisa mais sem sentido que eu já ouvi falar… Sujeito arrogante, não faz nada da vida e acha que é o “dr house” misturado com Oscar Wilde, deprimente.

  6. October 19, 2009 4:21 pm

    Posso eu estar enganado, mas o foco do cardoso não é tecnologia?
    Pq diabos iriam contratar o cara pra fazer a ação fora da área dele?

    De qualquer forma, mesmo que eu fosse um consumidor-padrão e por ventura caísse em qualquer um dos blogs, dificilmente eu iria pra porto de galinhas. Sacumé, fica a desconfiança de ver meia dúzia de amiguinhos falarem bem de um lugar em que pagaram tudo para eles. Aonde entra a credibilidade aê?

    E o ato mais falho ainda, como o júnior apontou no texto: como diabos a gente qualifica as visitas? Muito fácil ter 1500 acessos em um post falando bem do tal lugar quando se tem divulgação massiva para o próprio meio, que, curioso como sempre, VAI CLICAR pra ler a porra da história inteira.

  7. Camilla Conde permalink
    October 19, 2009 10:30 pm

    Ótimo texto!

    Infelizmente, muitos comunicadores ainda se esquecem de um termo que, ao meu ver, é o básico do básico, o famoso “exposição seletiva”, e ainda trabalham o público, independente de quem seja, como coisa.

    É uma pena que a organizadora de uma ação deste porte se esqueça que, mesmo trabalhando com os famosos (?) formadores de opinião, a hiperinformação leva ao alheamento e que as pessoas selecionam cada vez mais o querem ouvir/saber, e, principalmente, de quem querem ouvir.

    Será que o público real, aquele que planeja uma viagem, que busca informações sobre determinado destino vai se interessar por depoimentos pagos/mercham?

    Eu, como consumidora e provável público alvo, respondo que não.

  8. October 20, 2009 2:22 am

    Júnior, mandou muito bem – assim como a Gabi antes, analisando fria e tecnicamente. Mas confesso que o comentário do Guto sobre a intenção da ação me fez repensar: quando buscarem no Google, as opiniões sobre o local serão positivas e isso é sim uma boa mídia. Eu busco coisas no Google e se a opinião é preponderantemente positiva, fico mais tranquilo em comprar/visitar/contratar e etc.

    Fiquei curioso para ver se será eficiente: será que alguém irá acompanhar o quanto “Porto de Galinhas” é buscado no Google, e quanto dos primeiros resultados que aparecem são dos blogs da ação? Fiz uma busca rápida agora enquanto comentava e a primeira página inteira não tem nenhum resultado dos blogs: só o portal oficial e sites de hotéis e pousadas da praia. Entrei no portal oficial e lá também não há nenhuma menção aos blogs da ação – sei lá, imaginei que seria possível usá-los em algo como “depoimentos” e tal, mas… nada (pelo menos na página inicial. Não tenho saco pra ficar procurando). Seja como for, mesmo que tenha potencial de sucesso, minha primeira impressão é a de que a ação está mal aproveitada.

    Júnior, só complementando o que você falou: a grande sacada é a do fim da passividade – mas muito mais do que na seleção e busca por informações, para mim a grande vantagem da internet como mídia é o engajamento do “consumidor” através da interatividade. Muito clichê? Foda-se, não trabalho com isso, mesmo… ;P

  9. October 24, 2009 11:41 pm

    Ogro,

    Está fora dos meus planos de viagem primeiro: meus planos de viagem já estão definidos e são mais baratos… mesmo que ainda não tenho dinheiro para gastar com viagens… Meu marido sustenta a casa sozinho e o que sobra do salário dele é menos que a metade de salário mínimo, para vc ter uma noção.
    Porto de Galinhas é bonito sim, mas sou um pouco “ecologicamente correta”… Por ali está tendo pesca predatória e fico um pouco cabreira de estar financiando o crime ambiental.
    Sem contar que sou aquelas consumidoras que fogem da loja quando vem algum vendedor perguntando “-Posso te ajudar em alguma coisa?” – “Qualquer coisa meu nome é Fulaninha”…

    A ideia da ação foi legal e tal, mas parece que fizeram lavagem cerebral no povo, sei lá… será que tudo lá é 100% maravilhoso? ninguém tem coragem de falar do que não gostou?

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  1. Pronto, caí na rede – Respostas • Blog do Trotta

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