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Insights sobre a customização do jornal impresso

June 10, 2010

Tenho uma relação de carinho com o Jornal O Globo por vários motivos, os quais tentarei passar rapidamente antes de chegar ao insight que originou este texto. Conselhos para esta leitura: 1) Eu divido em subtítulos, caso você não tenha paciência de ler um texto longo.  2) Se você não for carioca, substitua a marca pelo jornal da sua cidade.

Relação emocional com a marca
Um pai foto jornalista, que me levou por diversas vezes a passear de “Maria Chiquinha” pelos corredores da redação, as dezenas de computadores em uma época que ter um PC em casa era coisa para rico, os jornalistas que nos paravam pra brincar com a menininha das chiquinhas e perguntar como um pai feio fez uma filha bonita e, por último e não menos importante, a mesa do Chico (cartunista do jornal até hoje), onde sentei e pintei várias vezes em sua ausência – o paraíso em lápis de cores de todos formatos e ceras possíveis e imagináveis.

Minha família recebeu gratuitamente o jornal durante muitos anos e, na vida adulta, namorei um cara que possuía todo um ritual de sentar e ler o jornal inteiro aos domingos. Tentei me adaptar à leitura dos concorrentes e não consegui, até que há poucos anos, houve uma flexibilização no modelo de assinaturas e pude aderir apenas aos finais de semana por um custo benefício razoável.

A geração Y ainda no dilema Tela versus Papel

Houve até quem me prometesse um e-reader só para que eu aprendesse a ler na tela. Mas nasci em 1984, e confesso, ainda não me adaptei. Prefiro imprimir quando os textos são mais longos, mesmo com todo o papo da consciência ecológica (é ela versus a minha necessidade de ir ao oftalmologista e encomendar um par de óculos).

Estratégia de retenção do consumidor
Há coisa de duas semanas, o jornal resolveu fazer uma “promoção”, onde ao invés de receber o produto apenas aos finais de semana, eu receberia todos os dias por um tempo pré-determinado. Sei bem quais são os objetivos de marketing envolvidos, no entanto, aceitei a oferta, certa de que voltaria a ler somente nos finais de semana quando a mesma acabasse.

O tiro da estratégia saindo pela culatra
Acontece que uma pilha de jornais se amontoa dia após dia na minha sala, na mesa do trabalho, na estante do meu quarto e não dou conta e nem tenho paciência de ler (isso sem discutir o formato, enorme e impossível de ler no transporte ou no vento da praia). A minha vontade de cancelar o dito cujo causou um efeito reverso na estratégia de “acostumar” o consumidor à leitura diária. Daí, hoje, eu pensei: “Eu só posso estar há uns 5 anos a frente da mídia impressa. Por que eles não me permitem assinar apenas os cadernos que me interessam?”

Possíveis benefícios da customização do jornal impresso (pensem comigo):
– Muito além da consciência ecológica em torno do papel, o jornal impresso teria um novo modelo de negócio que gastaria menos energia e seria muito mais rentável.
– Eu poderia selecionar via web apenas os cadernos que me interesso em ler e recebê-los no conforto da minha residência ou trabalho.
– Os cadernos poderiam variar de preço conforme oferta/demanda. Assim como os anúncios dentro dos mesmos.
– A empresa teria acesso não só ao perfil demográfico, como psicográfico do leitor, visto que seria possível descobrir o que o jovem mais lê, e de acordo com os cadernos, como ele pensa/ se comporta / consome.
– A queda da demanda de determinados cadernos forçaria uma readaptação conforme o interesse do público.

Insight final: “ahhh, mas eles já fazem isso no portal, quando o usuário está logado”. Minha resposta: ok, uma coisa não impede a outra.

E essas idéias foram pensadas em menos de 10min, imagine com um pouco mais de planejamento estratégico e pitadas de ousadia? #ficadica

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8 Comments leave one →
  1. June 25, 2010 8:56 pm

    Muito interessante a ideia, mas comigo acho que dificilmente iria funcionar, pois sempre que pego um jornal quero lê-lo por inteiro.

  2. Jaqueline Porto permalink
    June 28, 2010 12:14 am

    adorei as dicas. O globo não dá nenhuma facilidade pra ler. Só aos domingos consigo ler tudo. É um desperdício de tempo e dinheiro. Tb optei por só assinar nos fds.

  3. June 29, 2010 10:20 pm

    Paty,
    também acho que ler textos longos é um tormento mesmo para aqueles que vivem de cara para tela lendo o tempo todo. Papel ainda tem muita importância para mim! Eu assinaria fácil!
    Ótima ideia e artigo!
    Beijos!

  4. June 29, 2010 10:33 pm

    Eu criei uma estratégia parecida com essa de personalização de cadernos não só pra assinatura, mas também nas bancas, para um trabalho da ESPM. A pessoa podia comprar o jornal inteiro por R$ 1,50, por exemplo, ou cada caderno por R$ 0,50. E isso foi em 2004.
    Até hoje, eu tento vender essa ideia para um cliente nosso do ramo, que é melhor nem citar o nome, mas eles são teimosos e usam como argumento que, desse modo, os cadernos menos lidos sairiam de circulação e isso siginifica menos espaço pra vender pro s anunciantes.

    Adoro seu blog.

  5. Renato Costa permalink
    June 29, 2010 11:32 pm

    A ideia é boa, mas seria díficil coloca-la em prática por causa do processo de impressão feito com o jornal. O encadeamento feito com as confecção do diário está diretamente ligado ao funcionamento da redação e no processo de produção das matérias.

  6. June 29, 2010 11:56 pm

    Apóio a campanha! Primeiro porque também sou dessas que não consegue ler tudo na tela (curto folhear um jornal de vez em quando). E segundo porque também não dou conta de ler todos aqueles cadernos sobre os quais meu interesse não vai além de ler as manchetes (o que dá pra fazer na net, de graça, e de um jeito beeeem mais prático, rs). Passe adiante! 😉

  7. July 14, 2010 2:36 pm

    Discordo do Alexandre e acho que a opinião dele não representa a de boa parte do público POTENCIAL do jornal impresso hoje em dia. Tenho dúvidas sobre o modelo de negócios dessa customização – é difícil saber se os custos de impressão e entrega de jornal pagariam isso – e especialmente o que isso faria com o leitor do jornal de hoje. Não duvido que boa parte das pessoas abrisse mão do conteúdo geral e não sei como seriam as consequências.

    A questão é respeitar o que o consumidor quer. Uma assinatura com dois cadernos e o direito de ler o conteúdo fechado do portal digital, por exemplo, pode mesmo ser uma saída. Eu não acredito no fim do impresso, só acho que não é mais sustentável um jornal que está 80% desatualizado no meio do dia. Quem consegue consumir tudo antes disso é exceção e não a regra. Nicho por nicho, melhor apostar nos nichos e não em um único tipo de público.

  8. October 19, 2010 7:45 pm

    “Olá,

    Meu nome é Ricardo, trabalho na Produção On-Line do Avesso, uma TV 2.0 que mostra os bastidores da comunicação. ( http://www.avesso.com.br). Recetemente estivemos no EBP – Encontro de Blogueiros Publicitários, e notei que você estava ligado no evento.

    Fiz uma visita ao seu blog, e queria dizer que você está de parabéns pelo trabalho.

    Nós desenvolvemos parcerias com diversos blogs da área de comunicação, socioambientais, moda, design, esportes entre outros, e gostaríamos de ter seu blog como parceiro Avesso.

    Acesse o nosso site http://www.avesso.com.br , e assista aos programas.

    Caso tenha interesse, por favor entre em contato.

    Um grande abraço.

    Obrigado!

    Ricardo Rosa
    ricardo@avessotv.com.br
    Tel. (11) 3578-0777
    ____________________ http://www.avesso.com.br

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